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Silbra, pobre Silbra


Jajá Pupunha, presidente da República de Silbra e conhecido no meio militar como Recruta Zero, chegou a capitão mais pelo tempo de caserna do que por méritos próprios, até porque seus pares e superiores sempre o consideraram um mau servidor das forças armadas. Poderíamos até chamá-lo de Recruta Zero à esquerda, não fosse Jajá a encarnação da extrema direita de Silbra.

Corrreligionários de Zero sustentam, amparados em seu raciocínio reducionista e excludente, que quem não louva seu ídolo é obrigado a ser tepista – não existindo possibilidade, em seu estreito horizonte, de alguém não querer optar nem por uma porcaria, nem por outra. A eles, rotulados como “isentões”, caberá a ira de um exército de Torquemadas liderados por Pupunha, prontos para a sangria tão logo se dê o já previsto golpe de estado.

Notável estrategista, Pupunha costuma voltar atrás em onze de cada dez decisões tomadas, reflexo provável de inépcia executiva, já que sua carreira como parlamentar inoperante se estendeu por enfadonhos 30 anos.

O Recruta Zero legou ao mundo algumas nulidades (puxaram ao pai!), mais conhecidas como Zero 1, Zero 2, Zero 3 e Zero 4, além de uma garota que, a exemplo dos irmãos, também demonstra serventia alguma – já que é menor de idade e não pode prestar-se ainda a ser testa-de-ferro em negócios escusos.

Ansioso, entretanto, por manter Silbra andando para trás e na contramão do mundo civilizado, Pupunha quer a qualquer preço perpetuar-se acocorado em sua moto de marfim, com metralhadora em uma mão e papel higiênico para limpar suas cacas na outra, alternando daí para seu cercadinho midiático e uma visitinha de vez em quando a feiras agropecuárias.

No lado oposto, Lulu triplex, do TP, notório saqueador de estatais e assim conhecido por almejar o terceiro mandato, dono de fabuloso patrimônio pertencente a seus amigos, aproveita-se do progressivo desgaste de Jajá para a reativação dos propinodutos. Prevendo a derrota iminente, Pupunha rebate com cruzada pela volta do voto impresso, auditado por corporação da qual faz parte. Ou seja, com total imparcialidade.

Governar, que é bom, Zero.

Esta é uma obra de ficção

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