Seg10262020

Last update04:54:45 PM

 

Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Concursos IA

Concursos

IA

A madrugada traz certo frescor ao pensamento que em outros momentos não encontramos. Um pouco antes de surgir o sol, as únicas coisas que temos na cabeça são os restos dos sonhos da noite, alguns pensamentos difusos sobre o ontem, pouco sobre o planejamento profissional. A mente fica livre, pronta para escrever, pensar e ler. Depois, o dia vai tomando seu curso natural, os carros correm pelas ruas, os celulares acusam os primeiros “bons dias”, o horário para o trabalho se aproxima, nosso cérebro detecta os impulsos solares que comprimem os desejos de liberdade para impor-nos inesperadas grades. Quando a tardinha cai, cansados e autômatos, nos recolhemos como galinhas aos seus poleiros. Cacarejamos um pouco, subimos alguns galhos para a proteção, cobrimo-nos com a cabeça sob as asas e aguardamos novo amanhecer. Assim é o fim do dia para os bichos. Nós humanos, ainda procuramos um motivo para a vida: no NETIFLIX, nas novelas superficiais, em algum telejornal ou correndo canais na última inútil maratona. Antes dos olhos fecharem, conferimos as redes sociais para a última curtida.

Não digam que estou ácido neste domingo. Acontece que o mundo vai virando piroletas fantasmagóricas. Agora, o que tem assombrado a humanidade é a IA – Inteligência Artificial. Acontece que com a capacidade dos novos computadores de processarem milhões de dados em segundos, tê-los em abundância sobre o comportamento humano tornou-se fundamental para a dominação. Isso mesmo, do mi na ção! Em um passado não tão distante, um amigo exortava pelas ruas, como os pregadores do apocalipse no centro de São Paulo, que os aparelhos eletrônicos foram criados para nos vigiar. Não é que o danado tinha razão? Se George Orwell, na primeira metade do século passado, pensou nas “teletelas”, o mundo caminhou para os smartphones. Com isso, descobrimos que podemos compilar bilhões de dados de bilhões de pessoas e usá-los de forma inteligente (leia-se: conforme interesses). As redes sociais tornaram-se o centro nervoso dessas capturas embora outros existam. Vocês sabiam que ocorreu uma briga danada entre a Microsoft e a FORD para saber quem tinha direito sobre os dados comportamentais dos motoristas vindos do programa de uma, instalado no carro da outra? Olhem como somos vigiados: 1) o celular capta e transmite todos os nossos movimentos pelo geolocalizador, esse mesmo aparelho compila em uma central os aplicativos que mais usamos, o que curtimos, onde clicamos e vão formando um mapa; 2) as empresas de cartões de crédito e outras formas de pagamento captam nosso perfil de consumo. 3) As redes sociais sabem quem são nossos amigos, analisam nossas publicações, aquilo que curtimos, os grupos que participamos, o que escrevemos, assim como antecipam nossos anseios e de todos os que nos rodeiam. Por último, junta-se os dados, joga-se em um grande tacho, uma pitada de sal, pimenta a gosto e conecta o caldo na IA. Pronto, está traçado o caminho para a dominação. Sabem de coisas sobre nós que nem imaginamos. Instigam-nos, usam-nos, conduzem-nos de mãos dadas por viagens que parecem insuspeitas. É, meus amigos, assim caminha a humanidade! Para onde? Só Deus sabe. Bye!

Documentário da Netflix: O Dilema das Redes

LIVRO: 21 LIÇÕES PARA O SÉCULO 21 - HARARI