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Portugal decreta estado de calamidade e faz restrições contra Covid-19

Após enfrentar alta recorde de casos de Covid-19 na última semana, Portugal endurece medidas de restrição no país que volta ao estado de calamidade – o mais grave antes do estado de emergência.

Entre as medias estão a proibição de reunião de grupos com mais de cinco pessoas. O Governo também informou que vai propor ao Parlamento uma urgência de lei que torna obrigatório o uso de máscaras nas ruas. Até agora, a proteção só era obrigatória em espaços fechados e nos transportes públicos.

O Governo anunciou ainda que a polícia e as autoridades sanitárias vão intensificar as fiscalizações, especialmente quanto as empresas e restaurantes. Os valores de multas no caso de descumprimento das regras subiram e podem chegar a até 10 mil euros (aproximadamente $ 65 mil).

Assim como em vários outros países europeus, Portugal enfrenta uma trajetória de alta nas infecções por Covid-19. Os casos vêm se agravando particularmente desde meados de agosto. Nesta quarta, o país bateu seu recorde de novas infecções diárias desde o início da pandemia: 2.072 pessoas detectadas com o vírus.

Com os novos casos majoritariamente entre jovens, que tem menor propensão a complicações decorrentes da doença, o número de morte permanece relativamente baixo, Até agora, o país registrou 91.193 contaminações e 2.117 mortes, de acordo com o Governo Português. Na foto, uma senhora na Praça Rossio (foto Reuters)

Pacientes na Bélgica e na Holanda foram reinfectados pela Covid-19. O Brasil tem casos em estudos


Um paciente na Holanda e um na Bélgica sofreram uma segunda infecção pelo novo coronavírus (Sars-coV-2), informou nesta terça-feira a rede de TV holandesa NOS . Na segunda-feira pesquisadores de Hong Kong já haviam relatado o caso de um homem que foi reinfectado quatro meses e meio após ter sido declarado livre da Covid-19 . 

Segundo a virologista Marion Koopmans, citada pela emissora, o paciente holandês é uma pessoa idosa e com um sistema imunológico frágil. Koopmans disse que casos em que as pessoas estiveram doentes por um tempo longos, com melhoras e pioras, já eram conhecidos. Mas uma reinfecção autêntica, como na Holanda, Bélgica e Hong  Kong, exige testes genéticos nos vírus em ambas as infecções para analisar se as duas cepas divergem ligeiramente. Para a virologista, reinfecções já eram esperadas.

Já o paciente belga teve sintomas leves, segundo o virologista Marc Van Ranst. Mas, segundo ele, isso não é necessariamente uma boa notícia. Para Ranst, o caso mostra que os anticorpos desenvolvidos pelo paciente durante a primeira contaminação não foram suficientes para prevenir uma nova infecção por uma variante ligeiramente diferente do vírus.  Na avaliação dele, ainda não está claro se esses casos são raros ou se há muitas outras pessoas que podem ter reinfecções após seis ou sete meses.

NO BRASIL

Novos casos de contaminação de Covid-19 são investigados em São Paulo e Rio de Janeiro . Além da primeira reinfecção da Covid-19 em homem em Hong Kong , instituições brasileiras estão investigando 20 possíveis casos de segunda contaminação. As investigações são conduzidas pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Cerca de 16 dos casos suspeitos estão em São Paulo, enquanto os outros quatro são do Rio de Janeiro. Na última semana, o Hospital das Clínicas anunciou que  reservou uma ala de atendimento apenas para pacientes que suspeitam de nova contaminação de Covid-19.

O primeiro caso de reinfecção do novo coronavírus foi reportado pela USP. É o caso da enfermeira de Ribeirão Preto , que afirmou que tornou a ter sintomas 38 dias após supostamente se recuperar.

Cinco dias após sentir mal-estar, febre, dor de garganta, perda de paladar e olfato e dores de cabeça e muscular, ela voltou a testar positivo para Covid-19. Os sintomas ficaram por 12 dias, e ela ainda assim testou positivo novamente.

A nova contaminação de pacientes que já haviam contraído a Covid-19 pode impactar as pesquisas para uma vacina, já que isso pode implicar em pouca criação de anticorpos em algumas pessoas.

Com isso, é possível que apenas uma dose não seja eficaz contra a doença em alguns organismos. Também existe a possibilidade de que, diante de uma mutação, as pesquisas sejam comprometidas

‘Se o vírus circula na comunidade, pode entrar na escola’, diz OMS

Domingos Peixoto / Agência O Globo

 

A líder técnica do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, afirmou que a escola está vulnerável ao novo coronavírus. Portanto, a  reabertura de escolas deve ser realizada com cautela e planejamento.
Ela explicou que a escola não está imune à Covid-19 por estar fechada. Mas que se a comunidade ao redor é impactada, logo o ambiente escolar também é.

"Escolas não operam em isolamento. Se o vírus circula na comunidade, há uma possibilidade de que entre na escola", afirmou a especialista.

Segundo ela, entende-se a necessidade de as escolas reabrirem. Contudo, isso deve ser feito de maneira em que todos os presentes estejam protegidos. Logo, as instituições precisam se planejar e fazer adaptações para conseguir retomar as atividades.

No Brasil, o posicionamento sobre o retorno da voltas às aulas é misto. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB)  adiou o retorno das atividades presenciais para 7 de outubro . Antes, estavam marcadas para 8 de setembro.

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicano), se posicionou diversas vezes sobre a reabertura de escolas . Na ocasião, chegou a afirmar que “crianças são imunes” ao novo coronavírus . No entanto, foi barrado pela Justiça . Caso a ordem seja descumprida, renderá multa de R$ 10 mil por dia.

O prefeito da cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, já reconheceu que pode não ser possível retomar às aulas sem que haja uma vacina primeiro . Ele afirmou ainda que as aulas remotas não são proveitosas, já que aumentam a desigualdade social no município.

Por outro lado, o ex-secretário da gestão de Luiz Henrique Mandetta, Wanderson de Oliveira, afirmou que não se deve esperar vacina para que aulas sejam retomadas . Ele compartilha da fala de Maria, afirmando que é necessário fazer um planejamento de retorno para que se possa retomar a atividade escolar.

A única capital a retomar as aulas presenciais, até o momento, é Manaus, no estado do Amazonas. Na última semana, cerca de 100 mil alunos do ensino público retornaram às atividades presenciais . Mas foram registradas aglomerações e greves de professores.

Vacina contra Covid-19 – seis delas estão mais adiantadas

Imagem: Divulgação Unifesp

Existem pelo menos 165 vacinas contra a covid-19 sendo desenvolvidas atualmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O que todo mundo quer saber é quando uma delas vai ficar pronta para que a gente possa finalmente deixar essa pandemia para trás.

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou esta semana o registro que confirma a aprovação de uma vacina desenvolvida no país e que pretende começar a vacinação em massa, já no mês de outubro. O problema é que a vacina criada em Moscou só passou pela primeira fase de testes, em que é verificada a segurança, segundo a OMS. Faltaria ainda a segunda etapa, em que é verificada se há uma resposta do sistema imunológico, e, principalmente, a terceira, que garante se a vacina realmente protege contra uma doença. Isso, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é essencial para o seu registro e uso no Brasil....

Há seis vacinas, das 28 que já são testadas em pessoas, que já chegaram até essa terceira e última fase. São elas que mais nos dão esperanças de se conseguir em breve uma forma de se proteger do novo coronavírus.

Veja as seis vacinas:

Oxford | AstraZeneca - em teste no Brasil, esta vacina usa uma versão mais branda de um vírus que causa uma gripe comum em chimpanzés, chamado CHAdOx1. O vírus foi geneticamente modificado para não causar infecções em pessoas e para fazer as nossas células produzirem uma proteína que existe na superfície do coronavírus. O objetivo da vacina é fazer com que as nossas células passem a produzir essa proteína e que isso ensine o nosso sistema imune como se defender do coronavírus....

Sinovac - a vacina da empresa chinesa Sinovac, a CoronaVac, Usa cópias inativadas (mortas) do coronavírus para levar o nosso sistema imune a produzir anticorpos capazes de neutralizar o coronavírus. Ela está em testes de fase 3 no Brasil, desde julho, e na Indonésia, desde o início deste mês.

Moderna - empresa americana Moderna desenvolve uma vacina que usa uma técnica inovadora, conhecida como RNA mensageiro. Enquanto uma vacina tradicional usa vírus inativados ou atenuados (alterados para não serem infecciosos), esta vacina usa um pequeno fragmento do código genético do coronavírus, que é injetado no paciente. Isso não é capaz de causar uma infecção ou os sintomas da covid-19, mas pode ser suficiente para que as nossas células, ao absorver esse código genético, passem a produzir as proteínas que existem na superfície do coronavírus para gerar então uma resposta do sistema imunológico;

BioNtech | Pfizer | Fosun - no final de julho, a coalizão de empresas por trás dessa vacina anunciou o início dos testes combinados de fase dois e três. Ela também usa a técnica de RNA mensageiro para obter uma resposta imune

CanSino - a empresa chinesa CanSino dará início em breve aos testes da fase três na Arábia Saudita, segundo o ministério da Saúde deste país. A vacina da CanSino usa um adenovírus, chamado Ad5, que causa uma gripe comum em pessoas e foi geneticamente modificado para levar nossas células a produzirem uma proteína que existe na superfície do coronavírus e gerar uma resposta imune...

Sinopharm - a farmacêutica estatal chinesa criou duas versões de uma vacina que usa cópias inativadas do coronavírus. Uma foi feita com o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan e a outra, com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Elas estão em testes de fase 3 desde julho, nos Emirados Árabes, em um estudo com 15 mil participantes.

OMS: governo no Brasil não pode deixar povo com "mãos atadas nas costas"

Entrevista coletiva da OMS em Genebra

 

A proliferação do coronavírus no Brasil não cai, a cloroquina não funciona e a doença continua ativamente se espalhando pelo país. O alerta foi emitido pela OMS, no momento em que o Brasil supera a marca de 100 mil mortos. A agência também deixa claro que o governo brasileiro terá de continuar a dar apoio financeiro à sociedade. O recado foi uma resposta direta ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro que, nos últimos dias, voltou a fazer uma campanha em prol da hidroxicloroquina, questionou o distanciamento social e criticou vacinas que possam vir da China. Além disso, ele deixou claro que o governo não teria como manter a ajuda financeira à sociedade.

Para a OMS, o distanciamento social precisa ser mantido no Brasil. Mas reconheceu que a sociedade precisa de ajuda. "É difícil para muitos no Brasil", disse Mike Ryan, diretor de operações da OMS. "Muitos vivem em locais lotados e na pobreza. Manter essas atividades é muito difícil. "O governo deve continuar a dar apoio à sociedade. É difícil agir como comunidade se não recebe apoio. Não se pode empoderar comunidades com palavras. Elas precisam de ações. Ela precisa de recursos e conhecimento. Sociedades não podem agir com as mãos atadas nas costas. Elas precisam receber recursos e meios para agir", alertou o chefe da OMS.

Para Ryan, o Brasil continua a registrar entre 50 mil e 60 mil novos casos por dia, com uma taxa de proliferação entre 1,1 e 1,5. "O vírus ainda está ativamente se espalhando por grande parte do país", alertou. O representante da OMS fez questão de elogiar os profissionais do sistema de saúde do país e destacar como as UTIs estão lidando com a crise. Em alguns locais, a ocupação varia entre 80% e até mais de 90%. "Qualquer um que trabalhe nisso reconhece a pressão", disse. "Manter isso por vários meses é uma tarefa praticamente impossível", alertou.

Ryan destaca que, em média, 20% das pessoas testadas no Brasil revelam que estão contaminadas, um número considerado como elevado. "Muitos indicadores apontam que a transmissão continua e contínua pressão sobre o sistema de saúde", disse. Segundo ele, ainda que o número de casos aumente apenas entre 10% e 12% por semanas, a base é elevada. "O Brasil está mantendo um nível muito elevado da epidemia. A curva está mais achatada. Mas ela não está caindo e o sistema está sob dura pressão", afirmou.

"Hidroxicloroquina não é solução"

O irlandês voltou a repetir uma posição já conhecida da OMS de que a hidroxicloroquina não serve. "Num cenário como ele, o remédio não é a solução e não é a bala de prata". Por meses, a agência realizou testes com o remédio. Mas chegou à constatação de que ele não traz benefício. "Cabe ao governo de forma soberana decidir qual é o melhor tratamento. Mas, no momento e a partir dos testes, ele (o remédio) não se mostrou eficiente", disse

Vacinas

A OMS também deu uma resposta diante das críticas de Bolsonaro contra vacinas chinesas, insinuando que não seriam eficientes. Uma delas está sendo produzida em cooperação com o Instituto Butantan, em São Paulo. "Todas as vacinas serão colocadas sob o mesmo teste rigoroso. Não há motivo para ter suspeita de nenhuma delas neste momento", disse Ryan. Ele garantiu que a OMS não dará o sinal verde para nenhuma das 160 vacinas sob teste hoje se não houver eficiência e segurança.

Suprimir, Suprimir, Suprimir

As críticas da OMS ao governo brasileiro ocorrem num momento em que a direção da entidade reconhece que parar o vírus está sendo "extraordinariamente difícil". Para Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da entidade, lideranças políticas precisam assumir a responsabilidade de agir.  Segundo ele, isso apenas vai ocorrer quando governos entenderem que terão de adotar todas as estratégias e instrumentos ao mesmo tempo contra o vírus. "Façam tudo", apelou, num recado para que as políticas incluam testes, rastreamento, ampliação de redes de saúde, uso de máscaras e distanciamento social.

"Vamos atingir 20 milhões de casos e 750 mil mortes. Há dor e sofrimento. É momento difícil. Mas existem esperanças pelo mundo. nunca é tarde demais para promover uma reviravolta. Para isso, precisa que líderes assumam suas ações e que as sociedades estejam dispostas a mudar seu comportamento", afirmou.

Tedros citou como Ruanda e Nova Zelândia agiram para interromper a doença, mesmo sem uma vacina e como diversos países voltam a implementar medidas. Segundo ele, é esse comportamento que vai permitir que as economias possam ser reabertas.

OMS diz que pandemia de covid-19 é "uma grande onda", não é sazonal

Paciente tem temperatura medida para entrar em centro de saúde em Los Angeles, na Califórnia (EUA) (Imagem: Valerie Macon/AFP)

A OMS (Organização Mundial da Saúde) disse hoje que o novo coronavírus não tem um comportamento sazonal, como acontece com a influenza. "As pessoas ainda estão pensando sobre estações do ano. O que todos precisamos ter na cabeça é que esse é um novo vírus e... esse está se comportando de forma diferente", disse Margaret Harris durante briefing virtual em Genebra, fazendo um apelo à vigilância para que aplique medidas para conter a transmissão que está se espalhando em grandes aglomerações.

Ela também alertou contra pensar em termos de ondas de vírus, afirmando: "Será uma grande onda." No Brasil, a média diária de mortes ainda está acima de 1.000. Atualmente, o país já passou dos 87,6 mil óbitos registrados oficialmente, segundo o Ministério da Saúde. Em todo o mundo, já são mais de 646 mil mortes.

Europa retoma restrições

Na Europa, países já se preparam para uma série de surtos da Covid-19 pelo continente, impulsionados pelas férias de verão, o que motivou a fala da OMS. Na região, países começam a reimpor restrições de movimentação.

Na segunda-feira, o governador da Catalunha —uma das áreas da Espanha mais atingidas pelo ressurgimento do coronavírus - disse que a situação já é semelhante à anterior ao confinamento nacional decretado em março

A Bélgica anunciou que a partir desta quarta-feira os habitantes só poderão se encontrar no máximo com cinco pessoas fora de seu círculo familiar - até então, a "bolha social" permitida era de 15 pessoas. As medidas vieram depois que o país registrou 1.952 novos casos na semana passada, mais de 70% acima do número da semana anterior. Autoridades descreveram a situação como preocupante. As restrições na Bélgica foram anunciadas na segunda-feira pela primeira-ministra Sophie Wilmès, que deixou claro, no entanto, que um segundo confinamento obrigatório pode ser inevitável no país

A França, por sua vez, ordenou um toque de recolher obrigatório para o polo turístico de Quiberon, muito popular entre britânicos na costa atlântica do país, após um surto de coronavírus, com mais de 50 infecções. Os parques e jardins da região também ficarão fechados à noite, numa tentativa de evitar grandes aglomerações, especialmente de jovens. As autoridades estão em alerta máximo em toda a França devido às viagens durante as férias de verão.

Agravando os temores, em muitos países do sudeste europeu, como Sérvia e Croácia, observa-se um aumento significativo de novas infecções pelo coronavírus. A OMS já alertou que a região pode fazer ressurgir a pandemia no continente inteiro.

Rússia conclui testes e quer distribuir vacina contra a Covid-19 em agosto

Imagem: Miguel Noronha/Futura Press/Estadão

A Rússia está mais perto de se tornar o primeiro país a iniciar a distribuição de uma vacina contra o coronavírus para a população. O país anunciou hoje que concluiu parte dos testes clínicos necessários para comprovar a eficácia da imunização desenvolvida por iniciativa do governo russo. A expectativa é de que a distribuição comece já em agosto.

"A pesquisa foi concluída e provou que a vacina é segura", disse Yelena Smolyarchuk, chefe do centro de pesquisas clínicas da Universidade Sechenov, à agência estatal de notícias TASS.

A vacina aprovada foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa para Epidemiologia e Microbiologia Gamalei. Segundo o diretor da instituição, Alexander Gintsburg, a previsão é que que a vacina "entre em circulação civil"

O Ministério da Saúde russo ainda realizará testes bioquímicos da vacina, mas espera finalizar o processo até setembro, mesmo mês para o qual Gintsburg prevê o início da produção em massa por laboratórios privados.

A vacina russa está perto de ser distribuída porque os testes clínicos começaram em junho. A Universidade Sechenov agrupou 38 voluntários remunerados para o estudo. Parte deles já receberá alta nesta quarta-feira (15), quando terão completado 28 dias em isolamento. A intenção foi protegê-los de outras possíveis infecções. Os voluntários têm entre 18 e 65 anos e ainda serão monitorados por mais seis meses.

Também no mês passado, o exército russo iniciou uma outra frente de testes clínicos da vacina. O estudo vai durar dois meses e segue em andamento

OMS soa alerta: situação no Brasil e região é "profundamente preocupante"


Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo-SP, abre dezenas de covas para receber vítimas de covid-19 Imagem: Suamy Beydoun/AGIF Jamil Chade Colunista do UOL 05/06/2020 06h59Atualizada em 05/06/2020 07h43 Erramos: este conteúdo foi alterado

Com mais de uma morte por minuto no Brasil e com a América do Sul como o epicentro da pandemia do coronavírus, a OMS (Organização Mundial da Saúde) faz um apelo aos governos da região: "encontrem o vírus". Margaret Harris, porta-voz da entidade, declarou nesta manhã em Genebra que a situação no Brasil e na região é "profundamente, profundamente preocupante".

Os dados sustentam essa preocupação: o Brasil é hoje o terceiro país com maior número de mortes e segundo em termos de casos. Considerando apenas os últimos sete dias, o Brasil lidera no mundo, segundo os dados da própria OMS.

A agência de Saúde confirma que os "principais motores do mundo são os países da América do Sul, Central e do Norte, em especial os EUA".

A OMS, porém, alerta que só haverá um controle da doença se governos conseguirem saber onde está o vírus. Para isso, porém, testes serão necessários. No caso brasileiro, o número de testes é considerado como baixo.

"Testem, rastreiem", insistiu. "Encontrem a todos que tem potencialmente o vírus", afirmou Harris. Segundo ela, em locais com intensa transmissão, uma opção para governos é a de realizar testes direcionados, com a população que poderia ser mais afetada e nas áreas onde o vírus poderia se mover mais rapidamente.

"Testar é crucial. Saber onde o vírus está e que tem potencialmente a possibilidade de ser afetado é a forma de parar a transmissão", disse.

Outra recomendação da entidade é para que governos estabeleçam "parcerias com suas sociedades". "Os países que tiveram êxito foram aqueles que estipularam parcerias com a população", indicou Harris. Para a representante da OMS, o fato de países que viveram um intenso surto nas últimas semanas terem hoje um número baixo de casos revela que a estratégia descrita pela entidade dá resultados. Segundo ela, "quando se rompe a cadeia de transmissão, é aí que o surto começa a cair". Para isso, porém, governos precisam ampliar os testes.

Um sinal da crise brasileira foi demonstrado indiretamente numa reunião fechada entre a OMS e governos, na quinta-feira. O país escolhido na América do Sul para mostrar o que tem feito para lidar com a pandemia não foi o Brasil. Mas a Argentina, que fez uma ampla apresentação de suas medidas.

Afrouxamento

Questionada pela coluna sobre se esse seria o momento para reabrir a economia e promover um relaxamento da quarentena no Brasil, a porta-voz da OMS optou por não responder diretamente. Mas indicou que existem seis critérios para que um governo considere deixar medidas de distanciamento social. Um deles: garantir que a abertura apenas ocorra quando se saiba que existe uma queda no número de transmissão.

Outro critério é o de saber onde a transmissão está ocorrendo. Para isso, todo o modelo de testar, monitorar, rastrear contatos e isolamento precisa estar funcionando. Além disso, escolas e locais de trabalho precisam estar preparados.

Pior ainda está por vir na América Latina, alerta OMS

Fotos: Valter Pontes/Secom

Organização aponta que região se tornou "zona intensa" de transmissão da Covid-19; enquanto casos explodem no Brasil e no México, países europeus dão início à reabertura do comércio e locais turísticos

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Com cerca de 30 mil mortos no Brasil e mais de 10 mil no México, a pandemia de coronavírus ameaça sobrecarregar os sistemas de saúde na América Latina, enquanto diversos países europeus iniciam nesta terça-feira (02/06) o retorno a uma relativa normalidade.

Dos 10 países com maior número de infecções diárias de Covid-19, quatro são latino-americanos: Brasil, Peru, Chile e México, segundo afirmou o diretor de Emergências sanitárias da Organização Mundial de Saúde (OMS) Michael Ryan.

"Eu certamente caracterizaria que a América Central e do Sul, em particular, se tornaram as zonas intensas de transmissão para esse vírus. Não acredito que tenhamos chegado ao ponto alto dos contágios [na América Latina] e, no momento, não se pode prever quando será alcançado", afirmou. O epicentro da doença na América Latina é o Brasil, que, com mais de 526 mil casos, se tornou o segundo país com mais infecções em todo o globo, atrás apenas dos Estados Unidos (1,8 milhão de casos).

No Brasil, com mais de 210 milhões de habitantes, as medidas de quarentena ou de confinamento são impostas de maneiras diferentes, seguindo as normas estaduais ou municipais. O presidente Jair Bolsonaro continua a desdenhar da doença e fazer pouco dessas restrições, com a intenção de proteger a economia e o emprego, mesmo com o número de mortos se aproximando dos 30 mil.

O Peru, com 33 milhões de habitantes, é um dos que está sob forte risco. Segundo o Ministério da Saúde local, o país já superou 170 mil casos da doença e contabiliza mais de 4,6 mil mortes.

O México, país de 120 milhões de habitantes, já tem mais de 93 mil casos confirmados e ultrapassou nesta terça-feira o total de 10 mil mortes. Mesmo assim, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, anunciou nesta segunda-feira a retomada gradual das atividades da indústria automobilística e dos setores da mineração e construção civil.

No Chile, com 1,1 mil mortos e 100 mil infecções, as restrições impostas para diminuir a propagação da doença resultaram em uma retração econômica de 14,1% em abril, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Este é número o mais baixo desde o início dos registros, segundo informou o Banco Central do país.

O Equador, com 3,6 mil mortes e mais de 39 mil casos, decidiu reiniciar os voos comerciais domésticos e reduziu o toque de recolher de 15 para 11 horas. Por sua vez, o governo de Honduras dividiu o país em três zonas, de acordo com os índices de incidência do vírus, para possibilitar o que chamou de reabertura inteligente e gradual.