Sab12162017

Last update02:23:11 PM

Back Você está aqui: Home Mundo Comando remanescente da Operação Condor ameaça matar brasileiro

Mundo

Comando remanescente da Operação Condor ameaça matar brasileiro


   Uma mensagem recém-enviada ao promotor uruguaio Jorge Díaz faz lembrar os tempos da Operação Condor, aquela que uniu ditaduras militares para perseguir, capturar e eliminar dissidentes políticos no Cone Sul. O remetente é o Comando Barneix, um grupo de ultradireita que atua nas trevas, formado por militares e paramilitares vinculados à ditadura uruguaia (1973-1985).
Batizado com o nome do general Pedro Barneix, que se matou no ano passado, quando estava sendo processado pela morte de um militante político em 1974, o comando fez ameaças claras: “O suicídio do general Barneix não ficará impune. Não aceitaremos mais nenhum suicídio devido a processos injustos. Para cada suicídio, de agora em diante, mataremos três escolhidos aleatoriamente da seguinte lista”.
   Da lista elaborada pelo grupo de ultradireita, dez são uruguaios, a começar pelo promotor Jorge Díaz e pelo ministro da Defesa, Jorge Menéndez. Os outros três são estrangeiros: o jurista francês Louis Joinet, a pesquisadora italiana Francesca Lessa e o advogado brasileiro Jair Krischke. Todos os 13 são personalidades vinculadas à defesa dos direitos humanos e do esclarecimento e punição dos crimes das ditaduras no Cone Sul.
   Presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, com sede em Porto Alegre, Krischke incomoda os remanescentes da ditadura uruguaia não apenas pelo forte ativismo no passado. Sua atuação foi decisiva para a extradição do Brasil para a Argentina do coronel reformado uruguaio Manuel Cordero Piacentini, recentemente condenado a 25 anos de prisão devido a crimes cometidos no âmbito da Operação Condor.
   Krischke também vem denunciando a presença no Brasil de outro uruguaio, o coronel Pedro Antonio Mato Narbondo, acusado de dois assassinatos políticos em Buenos Aires. Para o advogado, o Comando Barneix é um grupo que existia e tinha proteção desde os tempos da ditadura. “Eu os chamo de viúvas de Huidobro”, diz Kirschke, referindo-se ao ex-ministro da Defesa Eleuterio Fernández Huidobro, que morreu em agosto de 2016.
   Dono de um arquivo que inclui extensa documentação sobre a ditadura no Uruguai, Kirschke, como os outros citados pelo comando de ultradireita, defendem que o governo do presidente Tabaré Vázquez investigue a fundo a ação do grupo. Pelo sim, pelo não, uma audiência para discutir a ameaça já está marcada com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos).