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Conversas vazadas mostram que Presidente do Paraguai sabia sobre acordo secreto de Itaipu

CorteIDH

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, sabia das negociações do acordo firmado com o Brasil sobre Itaipu e ainda pediu para que não se "polemizasse" sobre o texto e se "guardasse silêncio". A informação consta de uma série de mensagens de WhatsApp vazadas e reveladas nesta terça-feira (06/08) pelo jornal paraguaio ABC Color, e aumenta a temperatura da crise política no país. Nas mensagens, trocadas entre Abdo e Pedro Ferreira, então presidente da Ande (Administração Nacional de Eletricidade), aponta-se que o governo brasileiro pressionava para o cumprimento do acordo, assinado em maio e tornado público somente há duas semanas. O documento previa elevar os custos para a empresa paraguaia em mais de 200 milhões de dólares.

Os termos da ata levaram à renúncia do então ministro das Relações Exteriores, Luis Castiglioni, e do embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier. Importantes funcionários do setor de energia do país vizinho também pediram demissão do cargo: o titular paraguaio da usina hidrelétrica de Itaipu, José Roberto Alderete, e o atual presidente da Ande, Alcides Jiménez, que havia assumido o cargo poucos dias antes com a renúncia de seu antecessor (Ferreira), também por discordâncias em relação ao pacto.

Em entrevista nesta manhã, Abdo disse, no entanto, que não sabia o que estava na ata. “Não sabia o quanto havia na ata e nem sobre o que estava se tratando. Quando começa a polêmica, pedi ao chanceler que viesse, nos reunimos no domingo, e ali, pela primeira vez, pedi que viessem todos aqui e os disse: ‘Expliquem-me o que acontece nesta ata’. É aí quando começo a avaliar ponto a ponto”, disse.

Antes mesmo da reportagem doABC Color, o Partido Liberal Radical Autêntico (PRLA) havia confirmado na segunda (05/08) que as legendas de oposição apresentariam um novo pedido de impeachment contra Mario Abdo. O pedido incluirá não só o presidente, mas também o vice-presidente, Hugo Velázquez, e o ministro da Fazendo, Benigno López.

Nesta terça, diante das revelações doABC Color, o presidente do Congresso, senador Blas Llano, disse que o “juízo político” - em outras palavras, o impeachment de Abdo - deve ser tratado “o quanto antes”.