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China não quer ser “bode expiatório” e ameaça “retaliar” em caso de sanções norte-americanas


A China avisou esta quinta-feira (21) que adotará “medidas de retaliação” se o Congresso dos Estados Unidos aprovar sanções contra Pequim, que é responsabilizada por Washington pela pandemia de Covid-19.

“Somos firmemente contra esses projetos de lei e aprovaremos uma resposta firme com medidas de retaliação se o Congresso norte-americano as aprovar”, advertiu o porta-voz da Assembleia Nacional Popular (ANP, o parlamento chinês), Zhang Yesui, numa conferência de imprensa.

Em Washington, os senadores republicanos apresentaram em meados de maio um projeto de lei que dá o poder ao Presidente norte-americano, Donald Trump, para impor sanções à China se Pequim não esclarecer completamente a forma como se desencadeou a pandemia de Covid-19.

O vírus surgiu em fins do ano passado em Wuhan, cidade no centro da China, que só viria a ser colocada em confinamento a partir de 23 de janeiro deste ano.

A pandemia estendeu-se, depois, a todo o mundo, contaminando mais de cinco milhões de pessoas, que levaram à morte cerca de 330 mil infetados, tendo mais de 1,8 milhões de infetados recuperados.

A administração Trump tem acusado as autoridades chinesas de ter tardado em alertar o mundo para a epidemia e de ter dissimulado a amplitude na China.

Em resposta, Pequim acusou Washington de tentar fazer da China um “bode expiatório” e de desviar as atenções para a amplitude do número de infetados nos Estados Unidos, de longe o país mais afetado pela pandemia.

“Não é uma atitude responsável dissimular os seus próprios problemas e acusar os outros. Jamais aceitaremos processos judiciais injustificados nem pedidos de indemnização”, declarou Zhang Yesui, horas antes da abertura da sessão anual da ANP.

O contágio de covid-19 praticamente parou na China, em que, segundo o balanço mais recente, dá conta de quase 83.000 casos de contaminação, 4.634 deles mortais.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,2 milhões contra cerca de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 133 mil contra mais de 169 mil).

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (93.439) e mais casos de infeção confirmados (mais de 1,5 milhões).