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São João

Sanjoanenses dedicam décadas à mesma profissão


Amanda Coelho

Já pensou em passar mais da metade da sua vida no mesmo emprego? Para muitos, pensar nesta possibilidade até assusta, principalmente para a nova geração. Mas antigamente este fato era muito comum. As pessoas que hoje tem mais de 45 anos são chamadas de geração Baby Boomer, uma geração caracterizada por gosta de um emprego fixo e estável. No trabalho seus valores estão fortemente embasados no tempo de serviço, e preferem ser reconhecidas pela sua experiência à sua capacidade de inovação.

Os Baby Boomers começavam a trabalha ainda jovens e permaneciam satisfeitos com a mesma função e salário por muitos anos. Era como se fosse uma maneira de se manter fiel ao serviço.

Depois do Baby Boomer, surgiram as gerações X, Y e Z. Nos dias de hoje a situação é um pouco diferente, muitos empregadores lidam com essas novas gerações, nascidos a partir da década de 80. Essa geração apresenta um desejo constante por novas experiências, o que no trabalho resulta em querer uma ascensão rápida, que a promova de cargos em períodos relativamente curtos e de maneira contínua. E se o desejo não for realizado, logo partem para outro emprego e começam tudo do início.

BARBEARIA

Alguns trabalhos da geração Baby Boomer nem existem mais, por outro lado, algumas profissões voltaram na moda com tudo. Exemplo disso são as barbearias. Atualmente os jovens estão montando barbearias modernas e até com direito a bebida alcoólica enquanto o cliente corta o cabelo. Mas antes dessa profissão virar moda, Antônio Costa Mansanari de 86 anos, dono de uma barbearia no Centro de São João já exercia a profissão antes mesmo dessa geração nascer.

Aos 15 anos, Toninho, como é conhecido por amigos e clientes decidiu ajudar seu irmão mais velho na barbearia dele e com o passar dos anos pegou gosto pela profissão e hoje não se vê sem ela. “Confesso que no começo eu não gostava muito, mas fui aprendendo cada vez mais. Hoje adoro o que eu faço e acho que me dou bem fazendo isso”, explicou. O barbeiro trabalhou por muitos anos com o irmão, Belmiro da Costa, até que há 16 anos Belmiro faleceu. Após a morte do irmão, Toninho continuou tocando a barbearia sozinho e recentemente completou 54 anos de profissão. E mesmo com tanto tempo aberta, a barbearia ainda consegue manter bastante movimento. Ao longo dos anos, Antônio acompanhou nascimentos dos filhos dos clientes e morte de alguns amigos que também eram clientes.

Vinicius Moraes Junqueira de 36 anos é cliente do Toninho desde os 15 anos e além de continuar cortando o cabelo na mesma barbearia, agora ele leva seu filho, Mateus Pacheco Junqueira de 8 anos para também cortar o cabelo com Antônio. “Aqui na barbearia do Toninho a gente se sente à vontade”, comentou Vinicius.

COZINHEIRO

Outro exemplo é Santos Estevam de 77 anos. Santos é cozinheiro há 37 anos e conta que aprendeu a cozinhar aos 8 anos com a mãe. Assim como Toninho, Santos também não gostava da profissão no início, mas não desistiu do emprego e ao passar dos anos pegou paixão pelo que faz. Ao longo da vida, ele cursou gastronomia em São Paulo, trabalhou de cozinheiro em restaurantes de São João, Itanhaém e Águas da Prata, até que voltou para São João e abriu seu próprio negócio.

Hoje ele é dono de um restaurante no bairro Vila Operária e sobrevive dos almoços no restaurante, entregas de marmita, encomendas de comidas e vendendo salgados nas ruas.

Santos vai para cozinha às 5h30 da manhã para começar a preparar as refeições servidas no restaurante e os salgados que vai vender nas ruas da cidade. A partir das 14h30, ele pega suas duas cestinhas cheia de salgados e anda por toda a cidade carregando em torno de 15 quilos nos braços.

De acordo com o cozinheiro, ele vende cerca de 70 salgados por dia. “Já me disseram que sou considerado o melhor cozinheiro de São João e todos sempre elogiam meus salgados”.

ENGRAXATE

João Batista Ferreira Valim de 79 anos, também é outro sanjoanense que trabalha na mesma profissão há muitos anos. Conhecido como Cachaça, o engraxate fica com seu carrinho na Praça Coronel Joaquim José a espera de pares de sapatos para realizar seu trabalho.

Há 50 anos, João estava desempregado quando recebeu o convite de um amigo para ajudar na banca de engraxate que ficava na antiga rodoviária de São João e com o passar dos anos, os amigos trocaram a banca pelo carrinho de engraxate até que um dia o amigo faleceu e João teve que seguir em frente sozinho. Ele conta que atualmente as pessoas perderam o costume de engraxar sapatos e a profissão caiu no esquecimento dos sanjoanenses. “Antigamente eu e meu amigo quase não dávamos conta de tantas pessoas que queriam engraxar sapatos, hoje eu tenho sorte quando aparece um par no dia”. E mesmo com a pouca procura pelo seu serviço, João não pensa na possibilidade de trocar de profissão. “Só vou deixar de ser engraxate quando morrer”, afirmou.