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São João

DESAFIO DA RASTEIRA: por que acontece? Como prevenir?

 Psicóloga da UNIFAE destaca papel da família e da escola

Que jovens e crianças adoram quebrar regras não é novidade, mas o sinal de alerta precisa soar alto quando brincadeiras sadias são substituídas por outras de mau gosto e muito perigosas, que podem se tornar fatais.

A ‘brincadeira” da vez é o “quebra-crânio” ou “desafio da rasteira”, que consiste em três pessoas postadas lado a lado, sendo que a do meio é desafiada a pular o mais alto que puder e, enquanto está no ar, recebe uma dupla rasteira. Desavisada, sem o apoio das mãos, a pessoa cai violentamente no chão.

Um digital influencer, que tem mais de 2 milhões de seguidores, foi o responsável pela viralização na internet. Em um dos vídeos publicados, ele e o irmão fazem o desafio com a própria mãe. Logo em seguida, ele deletou o vídeo e pediu desculpas.

Para a psicóloga e professora da UNIFAE, Dra. Betânia Alves Veiga Dell’Agli, alguns fatores psicológicos contribuem para explicar este comportamento dos adolescentes: “Eles costumam ter um pensamento onipotente, de que nada de ruim acontecerá. Também estão preocupados em ser aceitos e não querem ficar fora do grupo. Além disso, estão vivendo um momento de afirmação da personalidade e querem ser capazes de fazer as próprias escolhas. São muitos os fatores que contribuem para que isso ocorra”.

A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia lançou um alerta aos pais e educadores, dizendo que a “brincadeira” pode provocar lesões irreversíveis no crânio e encéfalo, além de danos à coluna vertebral e, nos casos mais greves, levar a óbito.

Quando o tema chega à família, a grande questão para os pais é o que fazer para que isso não ocorra com os seus filhos. A Profa. Betânia alerta que “é necessário mostrar às crianças e jovens os riscos e consequências que eles não conseguem perceber. O diálogo é indispensável”.

Tendo em vista que a maioria dos casos acontece na escola, professores e orientadores também têm um papel importante na prevenção e podem trabalhar estas questões em grupos. “Muitas escolas estão preocupadas e já tomaram medidas de conscientização, mas não basta dizer ‘não pode’. Os estudantes precisam se sentir compreendidos e orientados”, finaliza a psicóloga.

 

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