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São João

Consumo de álcool durante lives chama atenção do CONAR

Em meio ao cenário de quarentena, artistas de todo o mundo têm realizado apresentações ao vivo nas redes sociais, como forma de apoiar o distanciamento social e estimular a arrecadação de recursos e suprimentos, destinados a instituições de amparo aos mais carentes e vulneráveis. 

No Brasil, entretanto, algumas lives estão sendo utilizadas como estratégia publicitária para a divulgação de bebidas alcoólicas, como acorreu com o cantor Gusttavo Lima. Depois dos shows "Live Gusttavo Lima - Buteco em Casa" e "Buteco Bohemia em Casa", o artista foi alvo de uma série de denúncias.  O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) está atento e já apresentou representação contra a ação publicitária.

Segundo a jornalista e publicitária Isabel Braga, também docente da UNIFAE, para entender o motivo da ocorrência, é necessário conhecer o propósito do CONAR: “Cabe a ele implementar e fiscalizar a produção e veiculação da publicidade, que deve estar de acordo com as normas éticas e respeitar o Código em relação a sua veiculação: formato, mídia e público-alvo. Caso identifique violação dos termos, há a aplicação de notificações e a ação publicitária pode ser, inclusive, suspensa”.

Ao pensar o contexto específico da publicidade nas lives, Isabel acredita que a experiência da entrega online de produtos e serviços, acelerada pela pandemia, já traz contribuições importantes: “A grande audiência demanda uma experiência de consumo acolhedora e sem excessos. Penso que a publicidade atual e seus desdobramentos futuros precisam de qualidade criativa, preparo das marcas e de seus porta-vozes, bem como do próprio consumidor, diante de um novo cenário”.

A docente ainda completa: “É importante pontuar que a discussão não é sobre a iniciativa das lives, seja para entretenimento ou ação social, mas sim sobre a forma com que a propaganda das bebidas está impactando o público, formado inclusive por crianças. Seja fruto de denúncia de consumidores, da própria monitoria do Conar ou de autoridades, o que entra em questão é a forma como a publicidade é feita. No caso das bebidas alcoólicas é preciso, por exemplo, divulgar que o consumo deve ser feito com moderação. As regras também envolvem a forma como a marca é exibida.”