Qui05282020

Last update05:12:26 PM

 

Back Você está aqui: Home São João Violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é tabu

São João

Violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é tabu

 

A informação e a denúncia são as principais formas de reduzir os casos

Na segunda-feira, dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A proposta é mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.

No Brasil, o Disque 100 registra de forma anônima as denúncias de abusos contra crianças. Segundo as últimas estatísticas divulgadas, o serviço registrou mais de 200 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no período de 2011 a 2017. Os dados apontam ainda que: 92% das vítimas são meninas; 51% das vítimas são negras; 40% das vítimas têm entre 10 a 14 anos; 21% de 1 a 5 anos; 19% de 6 a 9 anos; 19%, de 15 a 19 anos; 54% dos agressores são familiares da vítima (pais, mães, tios, avós); 88% dos agressores são homens. A estimativa do Ministério da Saúde é que cerca de 27 crianças e adolescentes de 10 a 19 anos são abusadas por dia, mas sem que haja denúncia ou atendimento.

Em São João da Boa Vista

Segundo dados do CREAS do Município de São João, no período de 2018 e até março de 2020 foram registrados 166 casos de abuso sexual a crianças e adolescentes, sendo que 87% as vítimas são meninas e 13% meninos. Em média são seis casos por semana. As vítimas por faixa etária estão divididas assim: 29%, de 2 a 5 anos; 26% de 6 a 9 anos; 33% de 10 a 14 anos; 12% de 15 a 18 anos. Na grande maioria dos casos, os agressores são parentes das vítimas como avô, padrasto, irmão, tio, pai e em menor proporção, pessoas próximas, como professor, amigos, namorado da mãe.

Formas de prevenção

A sociedade pode ajudar a diminuir estes números simplesmente não se omitindo. A omissão é a principal causa do abuso sexual a crianças e adolescentes. É preciso não se omitir quanto a falar sobre o tema que ainda é um tabu para a maioria das pessoas. Famílias, escolas, igrejas e outros locais de convivência devem orientar as crianças quanto as práticas abusivas de adultos.

Outra forma de ajudar é não se omitir e denunciar os casos de abusos ou as suspeitas. O Disque 100 é uma forma segura para alertar as autoridades nos casos onde crianças e adolescentes tenham seus direitos privados. A denúncia será apurada pelo Conselho Tutelar e não terá o envolvimento do denunciante. Mas é importante que o denunciante tenha em mãos nomes e endereços dos envolvidos para que haja consistência na denúncia.

É também importante saber ouvir a criança e estar atento aos sinais de possível abuso sexual, como: mudança de comportamento (fazer algo que não fazia ou deixar de fazer algo habitual); proximidade excessiva a um membro da família; regressão de comportamento (volta a apresentar comportamentos de idade anterior, como fazer xixi na cama ou chupar o dedo); segredos com pessoas mais velhas; referências incomuns à sexualidade (desenhos, perguntas, piadas); sinais físicos (hematomas, sangramentos, lesões).