Seg12062021

Last update04:24:05 PM

Back Você está aqui: Home :: Mais +++ Artigos Crepúsculo de minha jornada de vida

Artigos

Crepúsculo de minha jornada de vida


 

Não sei se existe inquietações na serenidade,

Ou serenidade nas inquietações

Sei que existe um borbulhar vulcânico dentro de mim,

Nele o homem escravo das horas cotidianas,

Se embate com a alma liberta exausta da vida.

Nada de reclamações, talvez alguma resignação,

Não por opção, mas por se fazer ferramenta necessária.

Da vida suponho conhecer o meu copo de fel,

E o vinho doce que ela oferece com suas doses de ilusões.

Não me rebelo, respeito os limites,

Mas trago em mim uma indignação que é rebelião.

Não sei o que sou exatamente,

Mas o que me conforta

É que talvez ninguém efetivamente saiba o que seja.

Assim reconheço a minha própria ignorância,

Sem querem que os demais reconheçam a sua.

Não pleiteio céu, seja lá o que isto for,

Mas tenho aversão ao inferno, seja lá o que isto for.

Talvez o odeie, seja lá o que ele for,

É algo instintivo, e me instiga fúria que guardo em mim.

Tola fúria, pois que bem sei toda impotência que sou,

Em que pese compartilhar

Com muitos as ilusões de potência momentânea.

Não me atrevo a querer ser o juiz de ninguém,

E acho que muitos

Não suportariam o juiz que que sou de mim.

Isto não se trata ser melhor ou pior,

A vida deveria ser um ajustar

Entre individualidade e gregário,

Tão simples e tão complexo.

Eis o divagar que me acompanha.

Algo que é o meu propósito involuntário,

Mas que sei que badulaque de inutilidade para muitos.

E novamente não faço juízo de valor,

Não me animo a proclamar virtudes,

Ou apontar pecados,

De algum modo todos em parte os sabemos,

Mas anseio em tentar ser justo.

Na solidão de nossa consciência,

Infeliz é aquele que é desonesto consigo.

Será escravo de ilusões, será seu pior inimigo.

Escrevo pelo ato de escrever,

Pela consciência de ser,

Pela necessidade de não aceitar a própria loucura.

Eis que vivi a buscar a lucidez,

Mas hoje sei que ela pode levar a insanidade.

Eis que me conformo com explicações provisórias,

Reconheço a insuficiência em saber a efetiva verdade.

Mas me dou o direito de brincar com utopias,

Um exercício solitário

De quem sabe da necessidade de ser gregário.

A isto, porém, não cabe importância alguma,

Eis que minha alma é como que cavalo selvagem,

Aprecia o gosto do galope,

Mesmo que não saiba seu sentido.

Não sou ovelha, mas leão que quer se fazer pacífico,

Leão que segue a ovelha,

Pois que no fundo descobriu o leão que há na ovelha.

E então rio-me e tomo um saboroso copo de melancolia,

Um brinde a cada um que divide a jornada,

Aos amigos e aos inimigos,

Pois que somos todos filhos de um só,

E não vejam nisto crença,

Mas fé que transcende a razão.

Não são certezas que me conduzem,

Mas dúvidas, meros sentimentos,

Fugazes intuições, uma sensação de retorno,

Sei lá para que, ou para quê, ou onde.

Parte de mim gostaria do nada,

Mas eis que um Todo existe,

Ainda que eu não o saiba conceituar.

Eis que ele parece guardar parte em mim,

Como suponho guardar nos outros.

E aqui me calo, talvez ore sem proferir palavras,

Apenas sou por constatar existir.

É isto é muito pouco,

Mas por ora, se faz o suficiente.