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Vamos passar os EUA em mortes por Covid-19, apesar de termos população menor', prevê Miguel Nicolelis

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Em uma entrevista ao GLOBO em março deste ano, o médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis previu que Brasil chegaria ao marco de 500 mil mortos pela Covid-19 em julho. Este número deve ser alcançado neste fim de semana, antes mesmo do previsto pelo cientista. Na avaliação de Nicolelis, o país já vive a terceira onda da pandemia do coronavírus que, por ocorrer no inverno, tem grandes chances de ser tão letal quanto a segunda.

O professor alerta ainda que o Brasil deve ultrapassar os EUA em cidadãos mortos pela Covid-19 e acusa o governo federal de não ter se esforçado para evitar a tragédia causada pela pandemia.

O neurocientista na nova entrevista ao GLOBO afirmou que o atual cenário da pandemia no Brasil mostra que está fora de controle, em meio a um colapso hospitalar que não foi sanado – “ Nunca saímos do colapso hospitalar iniciado em março e abril, fomos empurrando com a barriga. E nós temos múltiplas variantes do vírus entrando no país, uma vez que não resolvemos as fronteiras e o espaço aéreo. E, no meio de tudo isso, o Brasil joga futebol. A Copa América já resultou em mais de 50 pessoas infectadas, e isso só as diretamente envolvidas. Não temos a menor ideia dos números de pessoas que trabalham em hotéis e outros serviços, em contato com as delegações. É uma marca terrível sem uma luz no fim do túnel”.

Sobre o Brasil enfrentar uma terceira onde no inverno, Nicolelis afirma que ela já começou – “Ela tem potencial letal extraordinário, tanto que já voltamos à média de 2 mil mortes por dia. Já somos, de novo, o país com mais mortes por dia, com aproximadamente 25% das mortes (por Covid-19) no mundo. A pandemia do coronavírus expôs toda a nossa falta de preparo político para lidar com as catástrofes do século XXI, como questões ambientais e de saúde. Os interesses políticos e econômicos parecem ser superiores à preocupação com as vidas humanas.”

Nicolelis ainda recomenda um enfrentamento para conter mais infecções, internações e mortes – ISOLAMENTO MAIS SEVERO. E diz que nunca este isolamento mais severo foi feito – “Quando você começa a subir muito os casos e os óbitos, nos níveis que eles já estão, o mundo inteiro recomenda que o Brasil faça isso. Em janeiro eu alertei que se não fizéssemos um lockdown nacional, nós teríamos dificuldade de enterrar nossos mortos. E olha o que aconteceu, fomos de 250 mil para 500 mil em quatro meses. Essa métrica é algo que não dá para ser ignorada. E vamos passar os EUA e ser o país com o maior número de mortes por Covid no mundo, apesar de termos uma população menor. Só que lá, a campanha de vacinação em massa que está sendo feita desde janeiro deu resultado, eles já conseguiram alcançar cerca de 44% da população com as duas doses, e tiveram uma queda abrupta de 4 mil mortes por dia para 350, reduziram dez vezes, e reduziram mais de vinte vezes o número de casos por dia.”

E faz recomendações para o Brasil combater o coronavírus: “Aumentar a nossa vacinação, passando a vacinar de dois a três milhões de pessoas por dia, reduzir o fluxo de pessoas pelas rodovias, fechar o espaço aéreo para voos internacionais, principalmente de países onde novas variantes estão ocorrendo. E temos que achar uma solução política para remover um governo que se negou a fazer tudo o que era preciso ser feito. A sociedade brasileira está vivendo totalmente desprotegida, a "Deus dará". Dezesseis meses de pandemia, 500 mil mortos, e ainda não temos um comando central criando diretrizes nacionais de como combater a pandemia. É inacreditável. Daqui a 50 anos, quando a pandemia for contada na História do Brasil, ninguém vai acreditar.”